Quando se pretende iniciar o estudo do improviso, geralmente as pessoas são intruídas a estudarem escalas, arpejos e sua aplicabilidade sobre acordes. Mas o fato de dominar tal conteúdo de forma teórica e prática, não garante o desenvolvimento de improvisos interessantes. Escalas e arpejos são apenas os ingredientes da receita do nosso bolo que é o improviso, e vamos considerar como a receita do bolo a harmonia (Acordes) de uma música.
Diferentemente de uma receita culinária, onde ja vem descrita a quantidade específica de cada ingrediente, numa “receita harmônica” não temos essas quantias e nem os ingredientes determinados, cabendo ao músico fazer esse trabalho no momento improvisatório. Por isso é importante o cuidado na seleção e quantidade do material musical a ser utilizado no improviso. Para que o bolo não fique muito pesado, sem graça, com gosto de farinha, é preciso equilibrar os ingredientes como escalas, arpejos, frases, dinâmica e rítmica.
Como é muito vasto o material disponível sobre escalas e arpejos, neste tópico quero dar uma sugestão quanto a uma maneira simples de desenvolvimento do seu vocabulário de frases musicais para posterior aplicabilidade no momento improvisatório. Essa sugestão é feita sobre uma das atividades que mais gostamos de fazer como músicos: tocar ou cantar nossas músicas preferidas.
Para começar selecione uma música que você ja toque ou que queira aprender. Uma vez selecionada, separe na música frases que para você possuem um estrutura melódica interessante:
Como vocês podem reparar, escolhi a música “Groovin’ High” e a frase escolhida por mim é a que está dentro do retângulo vermelho.
Uma vez selecionadas as frases, é necessário que as decore. Não decore simplesmente a sequência de notas,mas sim seus intervalos em relação a tonalidade do trecho em que a frase aparece:
No trecho da música em que a frase que selecionei aparece, o centro tonal está em fá maior, diferentemente da tonalidade inicial da música que está em mi bemol maior. Note que utilizei intervalos somente até a sétima com o único objetivo de facilitar a identificação dos mesmos.Estão baseados na tonalidade de fá maior.
A sequência dos intervalos (Números em vermelho), é sempre a mesma independente da tonalidade, assim basta aplicar essa sequência encontrada na tonalidade desejada que terá a sua frase aplicada. Então agora entra o momento da prática: após memorizada a sequência dos intervalos, execute-a em todos os tons. Você decorou apenas uma sequência de intervalos que irá aplicar em qualquer tom, ao invés de decorar doze maneiras diferentes de fazer a mesma frase, o que lhe economizou muito tempo de estudo.
O segundo estágio da prática consiste em você analisar o contexto harmônico em que sua frase aparece. Uma vez identificado tal contexto, sempre que o mesmo aparecer no momento improvisatório, você pode se utilizar da sua frase. Para saber o contexto é necessário que você saiba no mínimo a tonalidade do trecho em que ele aparece. Como ja disse anteriormente, o centro tonal do momento em que minha frase surge é de fá maior. Sobre a minha frase aparecem os acordes G-7 seguido de C7. Assim sempre que eu estiver improvisando em fá maior e aparecer a sequência de acordes “G-7 C7”, eu posso aplicar a minha frase. Outra forma é analisando a função harmônica desses acordes: percebemos que eles formam a famosa cadência “IIm7-V7”. Então sempre que tal cadência surgir eu posso me utilizar da minha frase, bastando para isso que eu verifique o centro tonal do momento para que a frase seja aplicada na tonalidade correta.
Resumindo:
1º: Selecione numa música frases que lhe sejam interessantes
2º: Decore seus intervalos
3º: Pratique a fórmula dos intervalos em todas as tonalidades
4º: Identifique o contexto harmônico em que a frase aparece
5º: Pratique a frase nos 12 contextos harmônicos primários (Modulação exata)
Abraços, Otávio.